Eis que hoje estou parando o carro e chegam umas crianças, na faixa dos 10 anos, vendendo guloseimas. Bem, na verdade eu estava estacionando no pátio do edifício de meus pais e as crianças em questão eram moradoras do prédio.
“Tio, tio, compra um biscoito? É para ajudar o Haiti”, diz uma menininha branquinha branquina, com cabelos pretos pretos.
Na hora, seria de pouco bom-tom recusar ou desconfiar da veracidade da ajuda humanitária – se fosse período escolar, até diria que foi ideia de alguma professora engajada. Acabei comprando um pacote de bolachas Bono por R$ 1,50 (a menina ainda sacou o porta-moedas de grife para dar o troco para a nota de R$2, mas disse que magina, precisa não.
Bono for Haiti!
Mas o que está me encucando mesmo é a ligeira impressão de, logo após ter dado as costas á turmitcha, ter ouvido alguém falar “otário” bem baixinho. Espero que meu dinheiro não vire pedra de crack na mãos de tão abonadas criancinhas.

É tanta gente dizendo que vai ajudar o Haiti, que nem é condenável desconfiar. Se bem que, a julgar pelo valor, você não saiu no preju. Por via das dúvidas, o melhor mesmo é doar pelos meios oficiais.
Lá no comentário você me pergunta se é em Brasília aquele lugar? É sim.
Vai ter muita gente se aproveitando da situação no Haiti, muitos donativos sendo desviados, muito dinherio sendo roubado.
Mas você fez a sua parte.
Acho que foi esperteza, mas valeu pela ótima noção de marketing. hahaha