Tão bom quanto ter um amor é ter um ex-amor. Ou um amor diferente por alguém que um dia você já amou de forma única, visceral. Não que um sujeito apaixonado deseje ou espere que a atual cara-metade desatualize, que o amor acabe ou mude – mesmo que isso, o fim, provavelmente acontecerá, ainda mais quando se está na casa dos 20 e tantos anos.
É impar conversar com alguém que um dia – ou um mês, ou um ano, ou uma vida – você já amou. Alguém que um dia você imaginou que não conseguiria viver sem. Só que a vida andou e o seu caminho foi para outro lado. Mas um dia os caminhos voltam a se encontrar. Quase sempre, não há retorno. Os caminhos podem até ficar paralelos, e como todos caminhos paralelos, não se juntam. E não há nada de triste, amargo ou cruel nisso.
Mas um ex-amor. Ah. As feridas não doem mais. As cicatrizes já estão fechadas. E mesmo elas, com o tempo, vão sumindo, até ficarem da espessura de uma linha fininha, quase invisivel, geralmente situada entre o coração e o fundo da gaveta onde, esquecidas, repousam as memórias.
Se não há sentimentos mal resolvidos, um ex-amor pode ser generoso. Pode saber ouvir melhor que um terapeuta. Dar conselhos melhor que o melhor dos amigos. Porque é desinteressado. Porque ama sem amar. Ama a distância.
Um ex-amor é bom para lhe lembrar que amar pode ser verbo intransitivo, mas o objeto do amor transita de um lado para o outro, solto, em busca de um predicado para chamar de seu.
Ok, isso ficou ótimo.
Mas ei vc, espírito que tomou posse do corpo do Carozzo, quanto tempo pensa em ficar?
Faço coro com a Jaque, uma belíssima observação sobre o amor e os ex-amores. Sensível, doce e curto.
Muito lindo.
Abraço
CACO
Verdade…
[...] horizonte nunca pareceu tão distante, porém brilhante. Para todos aqueles que levantam sabendo que lutar por uma causa perdida é [...]
Parece que ouço a sua voz falando essas coisas…
Não há ex-amor. Há amor pra sempre, o que independe de existir relacionamento. Eu tenho um amor assim, compreendido na cumplicidade dos olhares que a gente troca e em outras coisas tantas que só a gente entende.
Como te disse , amei seu texto, Sazinho.
Super sensível a sua verdade.
Compreendo, concordo, admiro.
Algo tipo: será que fui eu que escrevi?!
Agora…que tal atualizar este blog?!
Tome vergonha, blogueiro…desde outubro…quase já estamos em dezembro !